Coaching e Desenvolvimento, Motivação

Separação a dor solitária

Os primeiros momentos são como um filme em que você volta várias vezes para ter certeza se realmente viu o que viu, ou ouviu o que ouviu, ficamos céticos, parece brincadeira, ou ousadia do destino interferir em algo tão definido, certo, decidido.

Aos poucos você se vê inundado de um não sei o que de sentimentos, raiva, frustração, medo, culpa, vergonha, dor e nostalgia, é como se tudo aquilo não pudesse acontecer com você, logo com você que tinha tantas certezas, tantos projetos, sonhos e dependências, sim, dependências, emocional, afetiva, daquela presença que estava ali constante, e então, começa a saudade, sim imediatamente, a saudade do que foi vivido e especialmente do que ainda se poderia viver.

E começa então uma corrida insana, para recuperar o tempo perdido, mas o desgaste já não permite reparo, os dias vão passando é como se a areia movediça tomasse conta de seus pés e os pensamentos fossem tantos que mesmo todo o céu não permitiria compreender sua extensão.

E começa a parte mais difícil, saber que todos vão saber que você falhou, que seu sonho não aconteceria mais, os primeiros pensamentos são e agora? Quando perguntarem e o fulano? Como me adaptar a fazer tudo sozinha(o)? E meus filhos como ficam? Vou envelhecer sozinha(o), nunca mais conseguirei amar; Acabou, sim acabou……

É neste momento que muitas vezes se manifesta a síndrome do coração partido o sentimento de que a vida não irá continuar após tanta dor…

Talvez você esteja se perguntando como posso saber que é assim, afirmo que passei por todas estas fases, e na experiência que tenho tido com meu trabalho identifico cada vez mais este processo acontecendo com homens e mulheres, sim mulheres, homens também sentem o final de uma relação.

A parte mais difícil é sempre o recomeçar, estamos desacreditados do amor, sem motivação e sem esperanças de conseguir um dia ver as coisas de forma diferente.

Mas existe sabedoria no tempo, e ele passa, e com ele vão-se também as dores, ficam algumas marcas e aprendizados, mas sim, é possível superar e permitir-se viver e sorrir novamente.

Lembro que quando passei pelo divórcio, sentia que não era mais possível sonhar com um relacionamento, algo havia quebrado de uma maneira que parecia irremediável, perdi a autoestima, e a autoconfiança baixou quase a zero, tinha muito medo de como seria enfrentar a família, amigos, como seria estar sem ele para me apoiar? Eu vinha de um grave problema de saúde, que transformou meu ex marido em um irmão, foram anos de uma luta incansável para que eu me recuperasse, e quando finalmente me recuperei, ele não e eu não éramos mais os mesmos, ele percebeu antes, eu só percebi naquele dia, em que ele falou que não poderíamos continuar o casamento.

Temos hoje um número gigantesco de pessoas que passam por processos semelhantes, alguns bem traumáticos, no meu caso confesso, que foi muito mais difícil desapegar pela dependência emocional que a doença criou em mim com relação a ele, pois dependi por muito tempo até para conseguir caminhar direito, e durante todo este período tive um parceiro e um amigo incansável, mas a paixão se esgotou, saímos ambos machucados, não foi uma fase fácil, pois eramos considerados por muitos o casal perfeito, e eramos, pois fomos perfeitos um para o outro enquanto foi possível.

O tempo passou e o que restou daqueles terríveis momentos foram lembranças e aprendizados, entre eles, que não podemos depender emocionalmente de ninguém que não seja nós mesmos, que a autoestima e a autoconfiança são bens preciosos, que na hora da angústia os amigos são poucos e os juízes são muitos, e especialmente que tudo passa até a dor.

Este é o período ideal para que você comece a se conectar comigo mesma(o), quando vivenciei este momento busquei primeiramente na fé um alicerce para continuar, posteriormente busquei sites, livros, palestras que me ajudassem a entender o que acontecia comigo internamente.

Baseada naquela fase tão especial da minha vida separei algumas dicas para você que talvez esteja passando por este momento, e se puder te ajudar ao menos a encontrar novas alternativas, já ficarei muito feliz, foi inclusive com elas que consegui superar, recomeçar e até me casar novamente, encontrei um novo amor, que me fez ver a vida de outra maneira, vivemos em harmonia e sem as sombras do passado, e em harmonia com o ex marido, que hoje é um irmão para mim, pois o fato de não existir mais amor no nosso caso não apagou todo respeito e consideração que foram conquistados em longos anos de convivência. Se isto se aplica a todos os casais? Não, claro que não, pois quando há traição, desrespeito ou agressões fica muito difícil se manter um bom relacionamento, mas acredito que as dicas a seguir, seja qual for seu caso lhe ajudarão nesta jornada de recomeço:

  • Reveja sua vida: Faça um levantamento de tudo que deixou de fazer nos últimos anos, metas, projetos e até aquela comidinha que você sempre gostou mas não faz mais, retome, se permita ter um momento só seu, surgirão muitos insights que ajudarão você a organizar esta nova fase.
  • Reorganize o espaço: Guarda roupas, quarto, mude os móveis de lugar, dê uma nova cara para os ambientes, guarde coisas que lembrem momentos que não voltarão mais.
  • Pare de reclamar: Ficar reclamando, choramingando para os outros, contando para um e para outro o quanto você está infeliz sem ele(a) não irá ajudar você a se recuperar, lembre-se, a vítima esta fadada a nunca vencer, seja forte, deixe a vítima de lado.
  • Saia de casa: Uma dica preciosa, este é o momento de passear em um parque, tomar café com uma boa amiga, assistir um filme ou até mesmo sair sem rumo para dar um volta por aí, deixando os pensamentos correrem soltos, mas o principal, não fique parado(a), sentado(a) chorando, respire fundo e saia.
  • Não se jogue logo em outro relacionamento: Isto mesmo, aquela velha história de que um amor se cura com outro, só se aplica para algumas raras exceções, no geral uma pessoa ferida, encontra outra pessoa ferida, para ambos tentarem se curar, o que acaba gerando mais e mais dor, dê-se um tempo, tempo para se reconhecer, ficar inteira(o) e não precisar mais de alguém para te completar, mas sim para complementar.

Uma grande falha é buscar alguém para curar nossas dores, ninguém o fará senão nós mesmos, e só conseguiremos êxito nesta jornada de cura e transformação se nos permitirmos olhar atentamente para nós, com cuidado e acolhimento entendendo que nossa história de vida é única, nem um minuto pode retornar atrás, mas que temos infinitas possibilidades a frente.

E sobre tudo, diga sim para o recomeço quando ele aparecer na sua vida……